BRASPEN Journal
https://www.braspenjournal.org/article/doi/10.37111/braspenj.2026.41.1.31
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Artigo Original

Padrão alimentar e ingestão de alimentos ultraprocessados por pacientes em hemodiálise: uma análise do consumo alimentar e da composição nutricional

Dietary pattern and ultra-processed food intake among hemodialysis patients: an analysis of food consumption and nutritional composition

Flávia Seidler, Giovana Abreu de Oliveira, Elisa Zoehler Ferrari, Mayara Abichequer Beer, Carlos Eduardo Poli-de-Figueiredo, Rafaela Siviero Caron-Lienert

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Resumo

Introdução: Pacientes com doença renal crônica (DRC) em hemodiálise (HD) apresentam elevada mortalidade cardiovascular. O consumo de alimentos ultraprocessados vem aumentando na população em geral e as evidências mostram sua relação com piores desfechos, relacionados a doenças crônicas e risco cardiovascular. Este estudo teve como objetivo investigar o consumo de alimentos ultraprocessados por pacientes em HD e analisar a composição nutricional dos produtos mais consumidos. Método: Esse foi um estudo transversal realizado com pacientes adultos (>18 anos) em HD em um hospital universitário no sul do Brasil. Foram coletados dados clínico-nutricionais, incluindo  recordatório alimentar de 24 horas, analisado no software Nutrório. O consumo de alimentos ultraprocessados foi classificado pelo escore NOVA. A composição nutricional dos dez produtos ultraprocessados mais consumidos foi avaliada com base na rotulagem de três marcas distintas por item, incluindo a análise dos ingredientes descritos nos rótulos, com identificação de aditivos alimentares e compostos contendo fósforo e potássio. Resultados: Foram avaliados 63 pacientes. Houve elevada ingestão de sódio e baixo  consumo de fibras, embora a distribuição de macronutrientes estivesse dentro das recomendações. Em média, 18,5% do valor energético total da dieta foi proveniente de alimentos ultraprocessados, sendo margarina, pão de forma, presunto e refrigerantes alguns os mais consumidos. A maioria dos participantes (63,5%) refere consumir três ou mais grupos de alimentos ultraprocessados. Foram identificados 63 tipos de alimentos ultraprocessados consumidos, totalizando 146 ingredientes descritos nos rótulos das três marcas analisadas, incluindo aditivos alimentares. Nos produtos avaliados, observou-se elevado teor de sódio e baixa densidade de fibras, proteínas e micronutrientes. Conclusão: O consumo de alimentos ultraprocessados contribui de forma relevante para a ingestão elevada de sódio e aditivos alimentares, além de baixa ingestão de fibras, impactando negativamente a qualidade da dieta de pacientes em HD. Esses achados reforçam a necessidade de intervenções nutricionais voltadas à redução do consumo de ultraprocessados e à promoção de alimentos in natura também nesta população. 

Palavras-chave

Ingestão de alimentos. Hemodiálise. Doença renal crônica.

Abstract

Introduction: Patients with chronic kidney disease (CKD) undergoing hemodialysis (HD) have high cardiovascular mortality. The consumption of ultra-processed foods has been increasing in the general population, and evidence shows its association with worse outcomes related to chronic diseases and cardiovascular risk. This study aimed to investigate the consumption of ultra-processed foods among HD patients and to analyze the nutritional composition of the most frequently consumed products. Methods: This cross-sectional study included adult patients (>18 years) undergoing HD at a university hospital in southern Brazil. Clinical and nutritional data were collected, including a 24-hour dietary recall  analyzed using Nutrório software. Ultra-processed food consumption was classified according to the NOVA system. The nutritional composition of the ten most frequently  consumed ultra-processed products was evaluated based on the nutrition labeling of three different brands per item, including analysis of ingredient lists to identify food additives and compounds containing phosphorus and potassium. Results: A total of 63 patients were evaluated. Within the sample, high sodium intake and low fiber consumption were observed, although macronutrient distribution was within recommended ranges. On average, 18.5% of total energy intake was derived from ultra-processed foods, with margarine, sliced bread, processed meats and soft drinks being the most frequently consumed items. Most participants (63.5%) reported consuming three or more groups of ultra-processed foods. A total of 63 different ultra-processed foods were identified, comprising 146 ingredients listed across the analyzed products, including food additives. Label analysis revealed high sodium content and low density of fiber, protein, and micronutrients in the evaluated products. Conclusion: The consumption of ultra-processed foods contributes substantially to high sodium and additive intake and to low fiber consumption, negatively impacting the dietary quality of HD patients. These findings reinforce the need for nutritional interventions aimed at reducing ultraprocessed food consumption and promoting fresh and minimally processed foods.

Keywords

Food intake. Hemodialysis. Chronic kidney disease.

Submetido em:
05/01/2026

Aceito em:
29/05/2026

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